• Roberta Setimi

Comunicação: talento é um diferencial?


De uns anos pra cá, perdi a fé no talento e passei acreditar mais no treinamento. Tudo graças a um livro que mudou minha cabeça e, principalmente, minha carreira. Compartilho aqui a minha experiência.

Passei a vida acreditando que tinha muito talento com as palavras e pouca habilidade para lidar com as câmeras. Inclusive já tive chefes que reforçaram essa minha crença. "Você escreve mil vezes melhor do que apresenta". O que me aprisionava ainda mais nesse ciclo "sou-melhor-escrevendo-então-vou-continuar-escrevendo-porque-sou-melhor-escreve..." (you get the idea).

A verdade é que sempre PRATIQUEI os textos. Aprendi a ler e escrever sozinha, antes dos seis anos, e durante a minha infância devorei livros de Monteiro Lobato, Ziraldo e tantos outros. Criei muitas histórias em quadrinhos para família e amigos. No colégio, minha matéria preferida era Português, mais especificamente redação. Percebi mais tarde (e já te conto como) que eu sempre amei escrever PORQUE comecei a praticar muito cedo e, PORTANTO, tornou-se algo natural pra mim. Algo que fazia com prazer. Sem esforço algum. E, inconscientemente, preferimos ficar na zona de conforto, não é mesmo?

Na Globo.com, trabalhei fazendo videos, mas não ficava satisfeita com o resultado. Tudo me incomodava: postura, voz, ritmo. "Meus textos são tao melhores! Vou continuar focando neles", pensava.

Até que, anos depois, surgiu a oportunidade de participar de um programa no Fox Sports. No vídeo. Um programa de entrevistas. Logo de entrevistas, que sempre foi a minha parte preferida da pauta... (adoro ouvir, descobrir novas historias e me colocar no lugar dos leitores/ouvintes/espectadores). Sem falar que era uma oportunidade de me comunicar com uma audiência bem maior... E quem faz Comunicação, quer mesmo é ser ouvido.

E foi nesse mesmo período, quando ainda sofria com minha performance e lutava bravamente contra o meu "destino" de falta de naturalidade diante das câmeras, que comecei a ler o tal livro lá do primeiro parágrafo.

O livro se chama Talent is Overrated (Talento é superestimado, em tradução livre), do autor Geoff Colvin. Ele defende que a prática consciente, consistente e planejada, o foco, a determinação e o estágio da vida que uma pessoa começa a desenvolver uma determinada habilidade é o que separa o "excelente" do "medíocre".

Não vou a fundo no livro, porque, pode não parecer, mas o assunto é polêmico. Tem muita gente apegada ao conceito de que "fulano nasceu pra isso". Eu desapeguei dessa crença. Foi a melhor coisa que eu fiz. Porque "não nasci" para as câmeras, mas desde que arregacei as mangas, treinei, treinei e treinei, fiz cursos com instrutores capacitados, treinei mais, pedi feedback de colegas mais experientes, pratiquei um pouquinho mais, fiz exaustivas sessões de fono, o "talento" até que começou a aparecer.

"Poderia ter começado tão antes...", já me passou pela cabeça. Poderia. Mas também poderia ter continuado acreditando nas minhas limitações, ao invés de superá-las. Hoje tenho consciência de que o que não sei fazer é porque não pratiquei (deliberadamente) o suficiente. E isso serve para tudo. O "talento", no fundo, é a motivação de cada um para se dedicar a um objetivo, procurar o treinamento adequado e levá-lo com determinação até o fim.

Espero que esse depoimento te ajude a evitar que as limitações moldem a sua carreira. Torço para que você molde as suas habilidades de acordo com seu objetivo.

Aguardo seu feedback e sugestões aqui nos comentários! Até breve!

#Comunicação #Talento #Jornalismo